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O mundo ainda não acabou??

Em 1969 aconteceu numa fazenda de 600 acres na cidade rural de Bethel Nova York o maior festival de musica do mundo ate aquele momento, Woodstock, onde durante 4 dias de tempo chuvoso, meio milhão de pessoas acamparam e curtiram mais de 32 artistas que se revezaram no palco como Jimmy Hendrix, Jannis Joplin, Santana, The Who, Crosby Stills, Nash e Young, Joe Cocker entre outros.

Os Beatles, que não tocavam juntos desde 1966 recusaram o convite pra participar, e o motivo pode ter sido John Lennon, que devido as suas idéias anti nacionalistas, teve a entrada nos USA proibida pelo presidente Nixon.

O festival aconteceu pela paz, era o auge da filosofia hippie, da contracultura, da liberdade de pensar, vestir, dos cabelos compridos, do amor livre, das drogas, e de muita musica.

Durante 4 dias, meio milhão de pessoas acamparam nesse terreno sem estrutura suficiente, o que acabou sendo um caos pra cidadezinha e redondezas, mas ao mesmo tempo Woodstock representou um marco na historia do planeta, uma revolução, o começo de uma nova era de liberdade no mundo.

Conto isso porque em 1985, recebi um convite do Sr. Roberto Medina, empresário empreendedor arrojado de muita coragem que tinha esse sonho, de fazer no Brasil, um evento tão importante e talvez maior que Woodstock, e através de seu produtor na época Luiz Oscar Niemayer me chamou pra apresentar o 1o Rock in Rio, que aconteceu num terreno na barra da Tijuca no RJ.

Eu e Andre de Biase estávamos no ar com o seriado “ Armação Ilimitada” com tremendo sucesso, e Medina me chamou porque achou que eu falava a língua da galera naquele momento. Fiquei muito feliz, pois além de assistir todas as bandas eu iria ganhar um bom cachê pelo trabalho.

Durante 10 dias, 1 milhão e meio de espectadores assistiram a 27 artistas, como Queen , Yes, Iron Maiden, Rita Lee, Paralamas, Al Jarreau, AC/DC, Rod Stuart, James Taylor, Barão, Lulu Santos entre outros. Naquela época existia uma lenda de Nostradamus, que o mundo iria acabar em uma catástrofe – que começaria numa grande reunião popular, o mundo iria começar a acabar no meio de um show.

Minha mãe me pedia para eu recusar o convite com medo de que algo realmente acontecesse, mas como um bom aventureiro jamais iria amarelar, o mundo iria acabar mesmo, então que fosse com muito som, felicidade e comigo apresentando.

Eu tinha uma moto Honda 350, e no dia 11 de janeiro fui com ela para a“ cidade do rock” em Jacarepaguá, quando cheguei encontrei mais de 100 mil pessoas já aglomeradas enfrente ao palco, e com meu crachá cheguei rápido aos bastidores, procurei a produção para pegar meu texto de apresentação, pois faria a abertura do festival, estava nervoso claro, ansioso, pois sem duvida aquela seria a maior platéia que iria enfrentar na carreira.

Quando consegui achar o Luiz Oscar ele me disse: “ texto que texto? O Medina te chamou, porque é você, vai lá e abre o festival” virou as costas e saiu apressado cheio de problemas pra resolver.

As surpresas da profissão. adrenalina pura, sabia que aquele momento seria especial e inesquecível, comecei a pular sem oarar na coxia feito um cabrito, com o coração batendo forte no peito, ate me mandarem entrar, quando entrei e dei de cara com aquela multidão, e disse” E ai galera?..vai começar o maior festival de musica de todos os tempos aqui no Rio de Janeiro”...e me veio a cabeça uma das maiores cantoras brasileiras que tinha acabado de falecer naquela semana, Elis Regina – não sei por que, mas olhei pro céu e disse “ Elis esse festival e pra você” está aberto o Rock in Rio” e chamei o Ney Matogrosso que seria o 1o a se apresentar.

Durante os 10 dias apresentava os artistas, ate que no show da Rita Lee, umas lâmpadas começaram a estourar depois de um curto circuito na iluminação, e faíscas caíram no palco. Quando vi aquilo, sai correndo achando que o mundo estava começando a acabar, peguei minha moto e parti pra casa batido, liguei pra minha mãe e disse “ mãe começou a acabar o mundo, mas eu já estou em casa”. Olhei pra TV e vi que nada tinha acontecido, o show continuava sem problemas, resolvi então voltar e fazer meu trabalho na cidade do rock.

Hoje depois de 25 anos, acabo de chegar com meu filho de 14 anos, Kenui, no “Rock in rio” onde assisti aos shows de Steve Wonder, Maroon 5, Cold play, entre outros, agora com uma infra estrutura moderníssima confortável, com área vip, tirolesa , roda gigante, 2 palcos, e muitas atrações, resultado do trabalho de um dos maiores empreendedores do planeta Sr. Roberto Medina.

Já estamos em 2011, o tempo passou muito rápido, lembro que também se falava que o mundo não iria passar do ano 2000, e passou batido, só em 2001 Bin Laden chocou o mundo com o atentado as torres gêmeas, naquele momento falei pro meu filho Kauai com 8 anos “ filho o mundo nunca mais será o mesmo depois do que aconteceu hoje”, e acho que naquele momento o mundo começou realmente a acabar, pois a insegurança e o medo passou a nos acompanhar pra sempre.

E na verdade hoje meu filho já esta com 19 anos, e sinto que o tempo não da trégua, não para de passar, to chocado com isso, se tivesse que pedir alguma coisa a Deus diria: “dá pra parar um pouco o tempo?

Pois tenho muita coisa ainda que viver e realizar”. Mas não acredito que isso seja possível, meu único consolo é que a vida e o tempo passa para todos os seres vivos, então vamos aproveitar o tempo que nos resta buscando a felicidade a cada momento, pois o tempo não vai mesmo parar, nem acabar, só para quem tiver a infelicidade de morrer.

Aloha!

Muita saúde!

Kadu.