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A minha 1ª vez no Hawaii

Rico de Souza, um dos maiores e mais famosos surfistas brasileiros, participou dos primeiros campeonatos de surf realizados no país, descobriu o Hawaii lá pelos anos 70.

Já esteve nas ilhas havaianas por mais de 50 temporadas e é muito conhecido na Ilha de Oahu, onde ficam as melhores e mais famosas ondas do planeta: Waimea e Pipeline, Sunset Beach.

Rico me disse um dia: “Vou lhe apresentar uma ilha no pacífico que você vai voltar para o resto de sua vida”. E acabei voltando lá por 25 anos seguidos, chegando a morar na ilha por 2 anos com a família, já com 3 filhos pequenos.

Eu tinha acabado de fazer uma novela de Braulio Pedroso “O Pulo do Gato”, que havia inaugurado horário das 22h na TV globo, onde fiz o personagem “Billy”, o primeiro surfista a ser retratado da TV brasileira.

Como cheguei a conseguir esse personagem é uma outra história muito interessante. Fui chamado pelo diretor já falecido Walter Avancini e ele me recebeu em sua sala com a seguinte pergunta: “Você surfa? Se surfar o papel é seu!” Na hora, sem piscar, disse: “Eu pego onda desde pequeno, surf é comigo mesmo, acabei de sair do mar agora...”, o que claro não era verdade, nunca tinha remado numa prancha, quanto mais ficado em pé.

Mas pra conseguir trabalho já fazia qualquer armação ilimitada. Essa historia em detalhes está no livro “Reviva c/ Kadu Moliterno”. Enfim, acabei me apaixonado pelo esporte e virando um surfista de verdade.

Segui então para conhecer o Hawaii. Fiquei hospedado na casa de um amigo de Rico, o Paul Cohen, mais conhecido como “Gordinho”, que é fotógrafo de surf e fazia também, em sua garagem, capas de pranchas para ajudar nas despesas.

Gordinho tinha esse apelido dado pelos surfistas brasileiros que haviam ajudado a construir sua casa em Pupukea, montanha entre Waimea e Sunset Beach. Nem preciso dizer que ele era meio fofinho mesmo, com aquela barriguinha que todo brasileiro já chama naturalmente de gordinho.

Quando o avião se aproximou da ilha de Oahu, em Honolulu, já pude avistar a beleza dos corais no Oceano Pacífico com suas águas cristalinas e suas ondas perfeitas. Realmente pensei: “O Rico tinha razão, estava chegando ao paraíso!” Eu ainda nem tinha desembarcado e já estava apaixonado pelo lugar.

Quando desci do avião senti um aroma de abacaxi, misturado com a brisa do Oceano Pacífico. Seu clima tropical quente e agradável me encheu de emoção e ansiedade.

Depois de 18h de voo, 13h Rio/LA e mais 5 horas LA/ Honolulu estava chegando às ilhas mais cobiçadas por surfistas e turistas do mundo inteiro. As ilhas havaianas ficam também a 5h de voo do Japão, portanto é repleta também de turistas japoneses.

Como ainda não dominava a língua inglesa, tive alguma dificuldade para alugar um carro numa locadora local mais barata indicada por Rico, e sai dela num cadilaque vermelho e branco ano 72, rabo de peixe conversível, lindo, daqueles que agente via nos seriados antigos americanos. O que eu ainda não sabia é que aquele carro hidramático bebia uma gasolina como poucos.

Coloquei minhas pranchas no banco de trás e lá fui eu pro North Shore, onde ficam as famosas ondas pesadas e perfeitas do Hawaii.

Seguia as placas North Shore até que me encontrei numa bifurcação onde estava escrito “Whahiwha”. Parei meu cadilaque exatamente no meio da estrada e ali fiquei parado esperando alguém passar pra pedir informação. Naquele momento percebi a diferença cultural entre nós. Lá ninguém para no meio da rua pra nada, ainda mais pra um turista perdido como eu num calilaque alugado achando que estava abalando Bangu (como dizia Miguel Falabela).

Depois de uns 15 minutos tentando fazer alguém parar pra me ajudar, resolvi seguir para a direita “Whahiwha”. Passei por dentro dessa cidadezinha muito charmosa e num posto de gasolina consegui a informação que precisava: qualquer dos caminhos me levariam ao Norte da Ilha, até chegar a Pupukea, onde viria o meu futuro e melhor amigo até hoje no Hawaii, Gordinho.

O próximo capítulo dessa minha primeira vez no Hawaii vou contar no meu próximo artigo. Como dizia o ditado: o melhor dessa historia fica para uma próxima vez.

Aloha!